NILSON LIMA: Aracaju: uma cidade administrada sem planejamento

06-06-2011 23:00

A sensação de inoperância administrattiva que os cidadãos aracajuanos amargam no cotidiano, refletida na precariedade dos serviços públicos essencias que são ofertados ou controlados pela Prefeitura de Aracaju, bem como na falta de resolutividade e criatividade para projetar e construir um futuro melhor - dada a abundância de recursos disponíveis - é decorrente, fundamentalmente, da qualidade sofrível de sua gestão, na medida em que despreza os instrumentos de planejamento, participação popular e de eficácia da administração pública.

Nesse sentido, cabe ressaltar a referência esclarecedora da forma de atuar que orienta a atual administração municipal , contida no artigo escrito pela professora Lúcia Falcón, ex-secretária municipal de Planejamento e atual secretária de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, com o título "A Força das cidades", publicado no Jornal da Cidade deste domingo, 5 de junho, ao chamar a atenção para a falta de utilização de instrumentos técnicos de planejamento pela Prefeitura de Aracaju.

No artigo, Lúcia informa que coordenou a elaboração de um plano para orientar o desenvolvimento da cidade nos dez anos seguintes. Diante de sua inexecução, ela questiona: "Após oito anos do plano, onde estamos?

Após lembrar que a lei do Estatuto das Cidades é datada de 2001, Lúcia responde com uma reclamação ainda mais contundente: "Após dez anos, por que ainda não temos nosso Plano Diretor nem os Códigos de Uso do Solo, Edificações, Posturas e Ambiental, embora tenhamos feito coletivamente com a sociedade os projetos de lei em 2005?".

Diante desse quadro desolador, a ex-secretária de Planejamento, aconselha o próximo prefeito ou prefeita a "pensar grande, na proporção da força que nossa cidade tem regionalmente", além de finalizar com um apelo simplesmente comovente: "Aracaju não tem mais nem um minuto a perder, diante da onda de crescimento benéfico que percorre a região Nordeste.

Em meio a declarações tão categóricas, por parte de alguém que conhece de perto a realidade retratada, resta aos cidadãos aracajuanos lamentar pelo tempo e os esforços que estão sendo desperdiçados, em face de uma gestão marcada pela apatia, improvisação e sem maiores compromissos com o futuro da cidade, mas, principalmente, que sejamos capazes de construir uma alternativa para resgatar e avançar na concepção de uma administração verdadeiramente participativa, planejada e sintonizada com os ideiais da qualidade de vida, lastreada no desenvolvimento urbano equilibrado, em harmonia com a natureza e as necessidades coletivas do nosso povo.

Por Nilson Lima, presidente do PPS em Sergipe

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