LITERATURA DE CORDEL: A Peleja dos Professores contra o coronelismo em Pirambu

17-05-2011 09:22

“Pirambu ficou famoso
Pelas belezas naturais
Aqui tem bonitas praias
Belas dunas e coqueirais
Riachos e muitas lagoas
Espere aí que conto mais

(Tracejo do cordel A lenda da Lucrécia)
A estrofe acima citada
Trata-se de uma citação
Que o poeta de cordel
Achou para a introdução
De mais uma obra-prima
Que não trata de ficção

Caríssimos companheiros
Com meus botões pensava
Da luta dos professores
E tão logo escrevinhava
Acreditem e me desculpem
Não sei se ria ou se chorava

Isso pelas patacoadas
Daqueles que são gestores
Sem compromisso algum
Com as senhoras e senhores
E fazem de tudo pra tirar
O direito dos professores

Na seqüência dessa prosa
Direi o que particularmente
Acho desses camaradas
Que agem indecentemente
E assaltam à mão desarmada
O bolso de nossa gente

A nossa peleja começou
Quando num dado momento
Fizemos concurso público
E assinamos um documento
Para prestar um serviço
E então sair do sofrimento

Mas parece que deu azar
Principiou um sofrimento
No lugar da estabilidade
Apareceu o remanejamento
E um bando de puxa-saco
Tirando a gente de tempo

Profere o ditado popular
Que a velha esperança
É a derradeira que morre
E paralelo a perseverança
Os professores pelejaram
Para ver chegar a mudança

Minha vó sempre dizia:
Não se atreva a cutucar
O cão com vara curta
Para não se prejudicar
Mas sabe, menino teimoso
Resolveu então arriscar
No início de dois mil e sete
Surgiu assim um movimento
Que quebrou a velha rotina
Do nosso planejamento
Rebelando-se naquela hora
E fazendo um rompimento

Não irei aqui citar nomes
Pra num agir injustamente
Pois cada um companheiro
Direta ou indiretamente
Contribui com a nossa luta
Simbora vamos pra frente

Rompendo com a mesmice
Com a maldita hipocrisia
Não se assustem, é verdade
Não estou falando arisia
O que hoje é pauta de luta
Antes se chamava heresia

Bem, voltando à reunião
Do planejamento informado
Promoveram uma dinâmica
Idêntica a do ano passado
Pra saber das expectativas
Do ano acima já citado

E concluindo os trabalhos
Fomos para os resultados
Brotaram grandes artistas
Com desenhos ilustrados
Só deu a lei da natureza
Nos trabalhos apresentados

A turma lá do fundão
Encerrou polemizando
Um bichano bem faminto
Q’stava ali simbolizando
O sofrimento do professor
Q’num tava mais agüentado
A figura do tal bichano
Foi então bem de$enhada
Olhando para uma cifra
Um tanto quanto agigantada
Que no bol$o do profe$$or
Há tempo foi di$pen$ada

Vivemo$ a era do gelo
Não mudava o vencimento
Poi$ a cifra bem gigante
Que e$tampava o documento
É a expre$$ão de cinco ano$
$em um real de aumento

Até hoje meus senhores
Somos mal interpretados
Os famosos bajuladores
Nos chamam de endiabrados
Somos vítimas do sistema
Estamos sendo maltratados

Esse protesto assustou
Surgindo uma oposição
Que tratou de perseguir
Mas seguimos com a opção
De instalar o Sindicato
Pra resolver essa situação

Foi então a primeira vez
Que se promoveu esse ato
Pois antes só em cochichos
Pois seria um desacato
Que ousasse citar o nome
De qualquer um sindicato
Daí fomos a promotoria
Pedir uma orientação
E o doutor promotor
Reforçou nossa opção
Sindicalizar-se é preciso
Antes de qualquer ação

Logo depois do carnaval
O grupo assim procedeu
Fez contato com o sindicato
Que prontamente atendeu
Com um curso de formação
Que a categoria concebeu

Mas antes quero frisar
Que na fase dos contatos
Com o SINTESE em Aracaju
E pra decidir sobre os fatos
Foi criada uma comissão
Com os devidos aparatos

Em caráter provisório
O empenho foi mantido
Participamos dos cursos
E foi muito divertido
Mas olhe muitos colegas
Não queria nos dar ouvido

Mas insistimos na luta
E vimos um feito heróico
Instalamos o Sindicato
Foi um ritual bucólico
Em vinte e oito de maio
Se deu esse fato histórico

A luta é quem faz a lei
Escrevas no pergaminho
Tá registrado na internet
E também lá no livrinho
Do espaço multi-cultural
Denominado de Clubinho

Ainda no primeiro semestre
Vivemos uma experiência
Foi com o Ministério Público
A nossa primeira audiência
Junto com a administração
Pra resolver nossa pendência

Mas antes quero frisar
Que de forma impertinente
Tentamos manter diálogo
Com o Senhor dirigente
Mas às vezes tava no mundo
Ou dizia que estava doente

A sábia crença popular
Quem for esperto escuta
Já dizia o Srº. Trancoso
Com sua idéia matuta
Que quando a coisa ta ruim
Para piorar não custa

Um grupo de pára-quedistas
Caíram em nosso terreiro
Vieram inventando moda
Foi tudo muito ligeiro
Mudaram o comportamento
Desse povo hospitaleiro

Disseram até que Pirambu
Era a capital do Brega
Como é que fica o Ilariô?
Em meio a essa piega
Avante pirambuenses
Se não o gabiru pega

Imergiram meu Pirambu
Num mar de corrupção
Saquearam o erário público
Maquiaram a documentação
Compraram carros de luxo
E aqui e ali uma mansão

A justiça logo tratou
De encontrar uma solução
Pra salvaguardar Pirambu
Das garras da corrupção
Enviaram sob encomenda
Uma tal de Intervenção

Inicialmente a população
Aceitou os interventores
Que vieram pra melhorar
A vida dos sofredores
Mas logo se transformaram
Em verdadeiros inventores

Devemos aqui ressaltar
Que quanto à organização
Da máquina administrativa
A equipe da intervenção
Tentou deixar um legado
Que nos chamou a atenção

Mas quanto ao funcionário
Faltou-lhes mais atenção
Relato com propriedade
Que na área da educação
Se engoliu muito discurso
Seguido de perseguição

Jamais devemos admitir
Que nós os servidores
Sejamos tão humilhados
Por nossos administradores
Afinal, a base da prefeitura
Somos nós, os trabalhadores

Já deu para perceber
Como foi o tratamento
Na época da intervenção
E para dar prosseguimento
Relatarei com amargura
Todo aquele sofrimento

Pense num povo pousista
No ato da negociação
Vamos blindar Pirambu
Essa é a nossa função
Expressão que se ouvia
Pelo povo da intervenção

Esses versos de cordel
É uma prosa verdadeira
Cada dia tem uma novidade
Nessa terra hospitaleira
Dê também sua opinião
Avante gente guerreira!

Depois de muitas tentativas
Sem nenhum entendimento
Só encontramos uma saída
Pra esse nosso movimento
Reunimos os professores
E fizemos um acampamento

No dia nove de outubro (2007)
Fizemos uma paralisação
Alojamos na frente do Mário
E com o apoio da população
Solicitamos que o interventor
Resolvesse a nossa situação

Naquele mesmo ínterim
Já tínhamos programado
Seguir com a paralisação
E conforme o combinado
Fizemos uma passeata
Pra deixar o povo alertado

Quando saímos na rua
Naquele mesmo momento
O povo da intervenção
Questionou o movimento
E começou a perseguição
Com os cortes no vencimento

Tudo por causa do plano
Que se encontra defasado
Pois não garante a carreira
Do nosso professorado
A briga por outro plano
Vem desde o ano passado

A intervenção não aprovou
O nosso plano de carreira
Os demais administradores
Disseram: isso é besteira
E não encontrando apoio
Tivemos que vir pra feira

Tivemos que vir pra feira
Mostrar para a população
Que o professor tá sofrendo
Com essa triste situação
Onde os gestores não querem
Avançar na negociação

Pirambu virou novela
Que tem muita audiência
O entra e sai de prefeito
É uma afronta à decência
Do povo desse município
Que tem muita paciência

Saiu então na cidade
A seguinte gozação
Se você que ser prefeito
Faça já a sua inscrição
Contribua pra melhorar
Essa triste situação

O administrador atual
Diz: não temos dinheiro
Pois todos nós sabemos
Isso não é verdadeiro
As verbas da educação
Não quebra o seu roteiro

É um dinheiro exclusivo
São verbas carimbadas
Que três vezes por mês
Elas são depositadas
Na conta da prefeitura
E que estão desviadas

Se nós perdemos os royalties
Em meio a essa altura
Trata-se da ingerência
De quem dirige a prefeitura
Não usou onde carecia
Deixou o povo na amargura

E sem avançar na conversa
Com a atual administração
Tivemos que mais uma vez
Fazer uma paralisação
Dessa vez foram três dias
Pra acabar com a humilhação

Atenção senhor prefeito
Chega desses clamores
Trate bem o professor
Chega desses horrores
O professor é quem educa
Os filhos dos eleitores

Abaixo o coronelismo
Que deixa o povo humilhado
E garantimos aos senhores
Vamos deixar o recado
Se não avançar paralisamos
Por tempo indeterminado

Autor: Agnaldo dos Santos Silva
Fonte: http://www.mundojovem.com.br/poema-poesia-cordel-a-peleja-dos-professores-contra-o-coronelismo-em-pirambu.php

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