FIQUE DE OLHO: Secretária Vera Santana contraria sentimento da comunidade e impõe saída de diretora da escola em Lagoa Redonda
2012-01-26 22:45Ações antidemocráticas e dissimuladas caracterizam gestão da marionete, digo, secretária de Educação de Pirambu, que rasga uma história que havia sido escrita, ainda que sempre marcada pela desconfiança da categoria.
Por Claudomir Tavares *

Juci Tavares é uma unanimidade em Lagoa Redonda
Nunca houve tanta perseguição, hipocrisia na educação de Pirambu, como na gestão da dissimulada secretária de educação, ex-sindicalista de ocasião Vera Santana. Isso é uma unanimidade entre professores, funcionários, estudantes e pais de alunos, atores sociais da sociedade que, no entanto sentem-se desestimulados em reagir, diante das práticas de perseguições que tem caracterizado esta gestão que, de nova já nasce velha.
Vera caminha a passos largos para consolidar sua trajetória como a mais decepcionante gestão da educação em Pirambu, algo que já nos anunciavam aos quatro cantos, mas que em princípio víamos com reticencia este sentimento de colegas que já a conheciam de perto. As previsões se confinaram com menos de 45 dias de empossada secretária na metade do ano e de lá para cá sempre temos denunciado os gestos da ex-sindicalista.
Até hoje ninguém (só ela e alguns “abençoados”) como alguém muda da água para o vinho e passa a integrar a gestão que ela classificava seis meses antes como “desastrosa, antidemocrática e autoritária”. Mas nos bastidores os argumentos impronunciáveis são inacreditáveis e um deles é a troca de favores, como a nomeação de parentes para ingressar pela porta dos fundos no serviço público, cooptando a ex-sindicalista.
Sugerida pela comunidade de Lagoa Redonda, a professora Jucileide Tavares fora nomeada diretora da Escola Municipal Ester Ribeiro Dantas, localizada naquele povoado, em reconhecimento a sua passagem como educadora naquela instituição antes de ser removida em 2010 para a Escola Municipal Mário Trindade Cruz, na sede do município.
Goela abaixo
Sua profícua gestão a frente daquela escola tornou-se referência e isto provocou reação da forças mais retrógadas que infestam a gestão da educação em nossa cidade e vinham na diretora uma ameaça às pretensões ambiciosas de setores que pressionaram o prefeito e a secretária com a mesma veemência de “urubus na carniça” por cargos e apegos ao farto banquete do poder, ainda povoado pelas beiradas, como se referem a direções de escolas. A justificativa da solicitação do cargo de diretora de Juci é de que seu desempenho deveria ser estendido para a Escola Leonor Barreto Franco, na sede do município, como se diretor fosse carreira e pudesse ser transferido de uma escola, desrespeitando os valorosos profissionais daquela escola, que podem e devem dirigi-la. Não colou!
Cabeça erguida... sempre!
Jucileide refutou a ideia, considerada indecorosa, pois tem não apenas o apoio unânime da comunidade (lideranças políticas e comunitárias de caráter inabaláveis, professores, funcionários, estudantes e pais de alunos) que foram os responsáveis pelo seu retorno à escola na condição de diretora. A educadora, que é pedagoga e arte-educadora, ativista cultural e ambientalista, preferiu retornar a escola em que estava lotada anteriormente, o Mário Trindade Cruz, e iniciar o ano letivo na mesma condição que iniciou em 2011: na sala de aula, com a mesma cabeça erguida com que se afastou temporariamente daquela instituição. Ao anunciar com detalhes os motivos de sua saída da escola nesta quinta-feira, Juci emocionou a todos, que choraram copiosamente, e isso a fez juntar-se a eles em lágrimas, não pela perda do cargo (que nunca reivindicou), mas pela interrupção do mais avaliado projeto de gestão participativa que havia na atual administração municipal.
Comunidade desconfiada
O receio da comunidade é que o cargo solicitado para negociá-lo politicamente (pois não há justificativas que sejam aceitas apelo mais torpe ser humano), seja entregue a um grupo que provoca orgeriza – e as previsões podem se confirmar nos próximos dias (a mudança de ideia arquitetada pode dar-se depois da publicação deste artigo). Defensora da Gestão Democrática (teria sido conveniência?) quando sindicalista de resultados, Vera Santana abomina esta proposta, se quer discutindo quando teve oportunidade, pois precisa dos cargos de diretores e demais cargos para acomodar “cabos-eleitorais” e sabe que Juci não se prestaria a este papel, uma vez que fez opção pela educação como sacerdócio e não como um negócio, o que se desenha cada vez mais claro na atual gestão, que acredite, consegue superar a antecessora Maria de Lourdes Cardoso Gouveia, hoje sua maior crítica e vice-versa: elas se merecem!
É pegar ou largar
Ouvida pela Tribuna da Praia, Juci Tavares disse que estava enfrentando uma situação complicada em relação à Escola Ester Ribeiro Dantas, em Lagoa Redonda. “Acontece que a secretária de educação me mandou escolher se eu queria ficar na direção de Lagoa Redonda ou ir para a direção do Leonor, obviamente que eu escolhi continuar em Lagoa Redonda devido à aceitação da comunidade”, informou Juci. Segundo ela, “Vera por sua vez tentou me convencer que o Leonor seria melhor e mais uma vez eu recusei. No entanto, ontem aconteceu uma reunião com todos os diretores e no final ela me chamou para conversar e alegou que ela teria tomado outra decisão, apesar de ser contraria a minha e me anunciou que na direção de Lagoa redonda não ficaria (...) e ela indicaria outra pessoa para a direção. Eu contestei, claro, e disse que a decisão da comunidade deveria prevalecer. Ela revidou dizendo que para mim teria a direção do Leonor, uma vez que ela conhecia o meu trabalho e que o Leonor estava precisando de uma pessoa do meu gabarito, praticamente impondo a direção”, completou a educadora.
Emoção a flor da pele
Juci disse a ela que se não ficasse na direção de Lagoa Redonda, cuja escola foi um apelo da comunidade, preferia retornar ao Mário Trindade Cruz. “Ela disse que a decisão dela era aquela, então hoje reuni os funcionários, professores para informar a decisão da secretária. Foi um momento muito difícil. Houve muito choro de alguns funcionários e acabei sensibilizada e chorei também. Estão todos assustados”, relatou a agora ex-diretora. “Acho que pode ser manobra para me remover (...). Neste momento os funcionários, professores e comunidade estão coletando assinaturas para um abaixo assinado que deverá ser entregue amanhã, 27, a secretária reivindicando que eu continue na direção. A todo o momento recebo ligações de pessoas da comunidade chocados com a decisão da secretária”, acrescenta Juci.
A reação da comunidade
Lideranças estão estarrecidas “e alguns pais disseram que se as reivindicações deles não forem atendidas a resposta deles será nas urnas em outubro”, relata a pedagoga. Acreditando que o presidente do PMDB, Rafael Marinho não esteja sofismando através do artigo que escreveu semana passada e publicado na marca da exclusividade neste portal, tentamos um contato com o prefeito José Nilton para saber se ele rendeu-se a pressões, se corrobora com esta posição extrema da secretária que tem sua gestão questionada, mas a distância (estamos em Ciudad del Este, no Paraguai) tem dificultado muito nosso contato com alguns números aí no Brasil.
Frase do dia:
“Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor” (Madre Tereza de Calcutá)
* Claudomir Tavares (43) é professor concursado da rede pública municipal em Pirambu, estadual em Propriá e do Pré-Universitário (Pré-UNI/SEED). Licenciado em História, com aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos (Universidade Federal de Sergipe), e Mestrando em Ciências da Educação (Uniersiade San Carlos). Críticas e sugestões são valiosas: claudomir21@bol.com.br
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