FIQUE DE OLHO: “Quem não se comunica se trumbica” (Chacrinha)

01-06-2011 10:17

Vereadores cobram uma política de comunicação na Câmara de Propriá

Por Claudomir Tavares | claudomir21@bol.com.br 

As últimas sessões da Câmara Municipal de Propriá tiveram parte de seus debates voltadas para a política de comunicação daquela casa, tida como uma das mais atuantes de Sergipe e que pela sua importância dentro do cenário político do Baixo São Francisco carece que este canal seja otimizado, de forma a promover uma maior interatividade entre o trabalho de todos os vereadores e a sociedade.

A “polêmica” surgiu diante da insatisfação levantada pelo conjunto dos parlamentares que não tem seus debates levados ao ar pela rádio comunitária Propriá FM 104,9, pela falta de atualização periódica do portal da Câmara (http://www.camaradepropria.com.br) que ultimamente tem se valido das notícias produzidas pelo site institucional da Prefeitura (http://www.propria.se.gov.br) e vice-versa e pela interrupção do serviço de telefonia celular necessários ao exercício da atividade parlamentar.

Quando o debate se iniciou o presidente da casa, vereador Paulinho Campos (PT) não estava mais em Plenário, pois ele tem se retirado da sessão por volta das 22 horas, antes do encerramento dos trabalhos que invariavelmente vara este horário, prova inequívoca da qualidade e diversidade dos debates sobre temas de relevância para a vida propriaense. E foi por não estar presente no momento da cobrança dos edis, que o vereador Paulinho Campos utilizou do Grande Expediente para responder ao vereador Aelson Publicidade (PDT), a quem qualificou de desmemoriado.

Jornal da Ilha

Tudo começou quando a vereadora Joaseane Alves da Silva, a Pel (PP) estava usando do espaço no Grande Expediente, levantando importantes questões, como o transportes de pacientes de hemodiálises, queima irregular de urnas funerárias no cemitério municipal, descaso da prefeitura com o Conselho Tutelar, e lamentando que muitas vezes suas ações naquela casa tem sido distorcidas por um programa de rádio (referia-se indiretamente ao radialista Eugênio Santana, apresentador do Jornal da Ilha na rádio do mesmo nome). “Eu não estou preocupada com o locutor, e sim com a população que utiliza-se dos microfones para reclamar, e é para ela que temos que dar uma satisfação”, contemporiza a vereadora Pel.

Não quero perder meus eleitores

A vereadora Rozélia da Ponte (PTC) lamentou que as ações da Câmara não estivessem sendo acompanhadas pela sociedade, pela fala de transmissão das sessões e por isso ela recorre e continuará fazendo – a Ilha FM para se comunicar com seus eleitores. “Como é que o povo vai saber se não temos meio de comunicação nesta casa”, disse. “Já que não existe meio de comunicação, eu vou para a Ilha sim, pois eu não quero perder meus eleitores, pois eu quero retornar para esta casa”, disse a vereadora.

Radialista entra em contradição

Por sua vez, a vereadora Lúcia de Vado (DEM) disse que “a 104 está aí, e porque não temos um programa que vai além das transmissões semanais, quando estas eram transmitidas, quando foi o dia em que o radialista esteve aqui, e por isso diz: vereador não faz nada”, disse. “O radialista deixa de prestigiar o trabalho dos vereadores da nossa cidade, mas entra em contradição quando fala dos vereadores de outras cidades”, completa Lúcia. “Lembro que existia um programa, Câmara em Ação, e hoje a sociedade vai saber por causa do professor Claudomir, mas por que não passar os trabalhos via rádio, pois nem todos estão acessando a internet. Ta na hora da gente acordar para a comunicação”, alertou a vereadora do DEM.

A comunicação é a Internet

Nesse momento, o vereador Aelson Publicidade (PDT) que ouvia as lamúrias dos colegas, sugeriu que fosse levado ao presidente da casa, Paulinho Campos (PT) questionamento sobre o por que o site da Câmara está desatualizado. “A notícia que sai no site da câmara sai no site da prefeitura e vice-versa”, comparou. “Hoje a comunicação é a internet, não temos que fugi dela. A nossa sorte ainda é o professor Claudomir que tem um dos melhores sites que conhecemos e que transmite gratuitamente os trabalhos desta casa”, comparou. “Precisamos nos reunir com o presidente para redefinir isso”, sugeriu.

Rádio Comunitária

Sobre a relação comercial com a Rádio Propriá FM, Aelson lembrou que “a rádio é comunitária e teria que transmitir as sessões de graça, sem pagar nada, paga-se para ajudar. O presidente tem que ser tocado na alma”, propõe o líder do prefeito naquela casa.

Celulares

O vereador Marcos Oliveira (PV), segundo secretário da Mesa Diretora se comprometeu em interceder junto ao presidente Paulinho Campos para atender o s reclames dos vereadores e acrescentou mais um pleito que deverá ser feito junto ao presidente, sobre o uso dos celulares por parte dos vereadores, instrumento “importante para o desempenho da atividade parlamentar”, disse o vereador.

Desmemoriado

Na sessão de ontem a noite, 01, usando do espaço do Grande Expediente, o vereador Paulinho Campos, presidente da casa, qualificou o vereador Aelson Publicidade de “desmemoriado” e que a decisão de suspender a transmissão das sessões Ao Vivo foi uma decisão sua, “para conter gasto”, justificou. “existe uma dívida com a Vivo no valor de R$ 12.549,00 acumulados em sete meses (ele detalhou valores mês a mês) de maio a novembro de 2010 (ele pagou dezembro), fruto de não pagamento pelo ex-presidente Aelson, justamente quando este não se reelegeu presidente da casa”, denuncia Paulinho. “Uma presepada fruto de seis meses de antecipação da eleição”, completa. Em aparte, a vereadora Lúcia de Vado contemporizou.

Não houve difamação

“A intenção do vereador Aelson não foi de difamar o presidente”, disse. “Se ele tivesse dito em minha sala, eu teria respondido lá, mas como o fez aos microfones, é aqui que eu respondo”, respondeu Paulinho. O presidente justificou que a decisão de suspender a veiculação das sessões pela Propriá FM foi uma decisão pessoal do presidente, e que assumiu toda a carga de responsabilidade.

Pediu detalhamento

Em resposta ao vereador Paulinho, Aelson informou que tem cópia de todos os e-mails solicitando da Vivo o detalhamento das contas, consideradas abusivas e para isso necessitava de um detalhamento que nunca veio. “Se o senhor quiser, passo cópia de todos os e-mails, devidamente arquivados”, propôs. “Não paguei nem pago, e por que os telefones ficaram funcionando até dezembro”, questionou o vereador. Quanto a Propriá FM, pergunte ao Beto (Sat) se eu devo algum mês”, questionou. “Eu não fiz nenhuma difamação, e sim sugerir que convidasse o presidente para que na próxima terça-feira (01/06) nos desse explicação por que as sessões não são transmitidas, o site está desatualizado, enfim, foi isso que eu falei”, completou Aelson. “O que discutimos sobre a ausência de comunicação está gravado. Ninguém estava com metralhadora nas mãos. O administrador é o senhor (Paulinho Campos), mas exijo que me trate com respeito nesta casa”, finalizou Aelson.

Política de Comunicação

Este portal pede licença para entrar nesta celeuma e se nos permitem, sugerimos ao sempre vereador Paulinho Campos, presidente do Parlamento Municipal, que tem dispensado uma atenção e cordialidade para conosco, que de forma coletiva, ouvindo todos os demais membros da mesa (Lúcia de Vado, Pel e Marcos Oliveira), que discutam a curto prazo uma política de comunicação para aquele Poder Político. Não podemos ficar “refém” da EmPauta – Assessoria de Comunicação, que não acompanha as sessões e as matérias enviadas a imprensa não atendem ao coletivo da edilidade.

Retorno das transmissões

Da mesma forma, sugerimos que a Câmara envide todos os esforços no sentido de retomar as sessões ao vivo, pois esta tem sido uma reivindicação da sociedade propriaense, que tinha na Rádio Comunitária um instrumento de acompanhamento das ações parlamentares. Este portal continuará com o compromisso social de noticiar a atuação dos nossos vereadores, até porque somos eternamente gratos as gentilezas daquela casa, sem promiscuidade, mas pautados em uma relação respeitosa que sempre preservamos.

Câmara na Rede

Quanto ao site da Câmara, seria importante que ele seguisse a máxima dos portais legislativos (vide Senado, Câmara Federal, Assembléia Legislativa), que divulgasse equitativamente e de forma a contemplar a essência dos debates, um resumo com a atuação de cada parlamentar, sem privilégios e retaliações, e estas práticas, temos certeza não fazem parte da índole do nosso amigo Paulinho Campos.

Rádio Web

Ainda sobre a transmissão das sessões, a Câmara de Propriá poderia seguir o exemplo da Câmara de Japaratuba (sistema criado pelo professor Agnaldo Cordelista), que grava as sessões e colocam no ar (através de player alternativo) em horários alternativos, de forma a permitir que a sociedade possa acompanhar em momentos que melhor lhe conviver os debates parlamentares.

Impresso

Trimestralmente poderia ser confeccionado um boletim informativo, contemplando o resumo dos trabalhos dois parlamentares e distribuído de forma racional entre a sociedade, via canais que permitam priorizar os formuladores de opinião, instituições, ong’s, sindicatos, associações, comércio, enfim, de forma qualitativa.

Por Claudomir Tavares (42) – Professor concursado da rede pública municipal em Pirambu, estadual em Propriá e do Pré-Universitário (SEED). Licenciado em História, com aperfeiçoamento e especialização em Gestão de Recursos Hídricos (todos pela UFS), especialização em Metodologia do Ensino Superior (Faculdade São Luiz de França) e Mestrando em Ciências da Educação (Universidad San Carlos). Críticas e sugestões são valiosas: claudomir21@bol.com.br (79) 9917.0510!

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