ECOS POLÍTICOS: Professor Bera assume direção do Colégio Joana de Freias Barbosa em Propriá

17-05-2011 07:41

Ato festivo aconteceu na AABB contando com as presenças de centenas de estudantes, professores, funcionários, coordenadores, políticos, dirigentes da educação, convidados, pais de alunos e membros da sociedade

Por Claudomir Tavares * | claudomir21@bol.com.br

Nunca uma posse de diretor de escola pública fora tão comentada em Sergipe. Em torno dela se criou uma rede de situações, muitas delas irreveláveis, outras delas curiosas, mas que ao final aconteceu o que prevíamos: o professor Robério da Silva, o Bera, assumiu a direção do Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa, o Polivalente, a maior do Baixo São Francisco, uma das mais tradicionais do ensino público de Sergipe. Uma escola que pela sua história e pelo seu presente merece uma atenção toda ela especial.

Diante do imbroglo e da dimensão que se tomou o caso a Tribuna da Praia que poderia classificar esta postagem na seção Educação, a redireciona para a página Política, razões que nossos leitores irão compreender ao longo da abordagem que faremos a partir de agora. Em função da natureza da função que ocupamos naquela instituição, não declinaremos alguns atores sociais, numa questão de cumprimento da ética profissional que praticamos, mas iremos identificar algumas situações bisonhas.

De Premem a Polivalente

O Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa (Polivalente), antigo Premem, foi fundado em março de 1980, para funcionar como uma escola de ensino profissionalizante. Foi um projeto idealizado pelo governo da ditadura militar e no Brasil formou-se uma rede de escolas que aos poucos foi perdendo sua função a que se destinou, passando a operar como uma escola comum de ensino regular. Atualmente é ofertado os cursos de Ensino Fundamental e Ensino Médio, nas modalidades Seriado e Normal (Magistério).

Cinco meses sem direção

Desde 2003, quando chegamos a instituição, a escola fora dirigida pelos seguintes professores: Izabel Santana Prata (até fevereiro de 2003), Antônio Pereira (fevereiro a março de 2003), Maria da Paz da Costa Lins Lustoza (março de 2003 a abril de 2007), Aldemir Silvestre Gomes (abril de 2007 a dezembro de 2010). Desde período para cá a escola fora “carregada nas costas” pelos coordenadores (Jussiêr, Norma e Vera) e pela secretária (Fatinha), uma vez que o Governo de Sergipe não nomeou um novo diretor.

Especulações de nomes

Especulou-se sobre quem seria o próximo diretor ou diretora da instituição: o professor José Tibúrcio da Silva, a professora Conceição Cardoso, entre outros importantes nomes do magistério do Baixo São Francisco. O nosso nome chegou a ser sugerido e após consulta que a nós fora feita, justificamos a nossa incompatibilidade política com o atual governo de Sergipe e a nossa condição de possuir mais de um vínculo, que se tornava insustentável do ponto de vista político e legal a indicação.

A legitimidade de Bera

Através deste portal, defendemos em 28 de março de 2011 a legitimidade da indicação do professor Bera, pela sua história no magistério sergipano, pela sua trajetória naquela instituição e por ser um quadro que se enquadraria no perfil do diretor que carece aquela escola, vítima das mais torpes depredações de ordem social, administrativa e pasmem, sistêmica que a fez crescer como “rabo de cavalo”, diminuindo sua matrícula que já ultrapassou os 3 mil alunos, para pouco mais de 1,3 mil.

Criou-se uma rede contrária a Bera

Bastou isso, a divulgação da matéria neste portal e replicada em outros sites, para criar-se uma verdadeira rede cujo objetivo era demover as lideranças políticas da sustentação do nome do professor Bera, sugerindo e sugestionando outros nomes, criando até situações desconfortáveis entre colegas, tamanha a importância e responsabilidade da função e da cobiça política e de status que chega a ostentar a condição de diretor da maior referência em escola pública da região, a maior entre as 46 da DRE-06 (Diretoria Regional de Educação), nas 14 cidades de sua circunscrição.

Os caminhos de Bera

Depois de mais de um mês e meio de especulação em torno no nome do professor Bera e das tentativas de desqualificar a sua capacidade e legitimidade para ocupar a direção da escola, a portaria de nomeação fora assinada em 02 de maio e em seguida publicada no Diário Oficial do Estado de Sergipe. O ato jurídico de sua posse deu-se na manhã de 10 de maio, no gabinete do diretor da DRE-06, professor Antônio Nunes de Oliveira, presenciada por integrantes daquela administração regional e convidada.

Rituais de posse

A partir daí, Bera estava liberado para programar sua posse festiva e se apresentar a comunidade escolar como o novo diretor que terá a responsabilidade titânica de salvaguardar aquela instituição, promovendo seu soerguimento e devolver a condição de mais representativa do Baixo São Francisco. Assim, este se esmerou e marcou o ato de posse junto à comunidade estudantil e a sociedade propriaense, fora dos limites da escola, localizada nos limites dos bairros Brasília, América, Remando e Conjunto Maria do Carmo, externando-a para a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).

Posse na comunidade

Na presença de centenas de alunos (calcula-se em 700), professores, funcionários, coordenadores, lideranças políticas, dirigentes da educação, pais de alunos e convidados do professor Robério, sua posse foi realizada na noite da última sexta-feira, 13 de maio, quando se fizeram presentes, entre outras personalidades, o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Propriá, Renato Brandão, que na solenidade representou o governador Marcelo Déda, o professor Antônio Nunes, diretor da DRE-06, que representou o secretário de estado da Educação Belivaldo Chagas, entre outras lideranças.

Bera se apresenta

Estava assim sacramentada a posse de direito e de fato de Bera e assim pronto para se apresentar a instituição como novo diretor do Polivalente. Em reunião com professores da instituição, realizada na tarde de ontem, 16, Bera apresentou quais seus planos administrativos, pedagógicos e os planos a curto, médio e longo prazo, dizendo que precisa do apoio, da somação e da compreensão de todos para levar a frente sua plataforma de gestão a frente do Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa.

Quebrando resistência

Percebemos que ao longo deste processo todo tem-se quebrado a resistência em torno do nome de Bera e sua aceitação já é maioria entre todos os segmentos que formam a escola, estendendo-se aos pais de alunos e a sociedade propriaense, que de reticente, vê na pessoa do professor o perfil do diretor que clama o Colégio Estadual Joana de Freitas Barbosa, uma instituição cujo patrimônio vai além do físico depredado, da trajetória irretocável e do pessoal humano que a integra, este seu maior tesouro e que compete ao novo diretor promover a integração da comunidade.

O que pensam os atores sociais?

Alguns depoimentos colhidos discretamente por este portal e disponibilizados, descrevem as expectativas que se geraram, criaram-se e giram em torno do novo tempo que se iniciou a partir da presença de Bera a frente do Polivalente. Elas refletem a diversidade de pensamento muito comum em uma instituição marcada pela pluralidade de pensamentos, idéias, esperanças e de perspectivas. São apenas algumas reflexões, mas que nos dão a dimensão do que se espera do novo diretor Robério da Silva:

O Poli precisa de alguém com o punho, a firmeza e a linha dura do Bera” (pai de Aluno).

 “Estou esperando para ver a gestão de Bera, pois sempre o vimos como uma figura autoritária, arrogante e não imagino diferente como diretor” (professora da rede municipal e ex-estudante do Poli). “Gente, vamos aguardar, dar uma oportunidade e se ele não corresponder, aí a gente se manifesta, faz alguma coisa” (professora do Polivalente).

Agora é que o Polivalente vai se acabar, se enterrar de vez. Se eu pudesse caia fora daqui” (professor).

Conversei com ele e gostei das propostas. Vejo-o com bons olhos as propostas de Bera e vejo-o bem intencionado, Acredito que fará uma boa gestão” (professora).

Muito bem. Seja bem vindo” (professor).

Se cada um fizer o seu trabalho, por que temer?” (funcionário da escola).

Estamos aqui para dar o melhor de si para a escola. Seja quem for o diretor, que faça o melhor e que cada um desempenhe seu papel” (funcionário da escola).

Se Bera for como diretor o que faz com na sala de aula, como dizem, acredito que porá o Poli nos eixos, pois aqui não temos segurança”. (estudante do turno noturno).

O Polivalente tem sido vítima de invasões, de furtos, de depredação do patrimônio e de diminuição da matrícula. Acredito que Bera fará o melhor para que Propriá volte a acreditar no potencial de uma escola da importância daquela escola”. (vereador).

Nossas boas vindas

De nossa parte, acreditamos na máxima que diz: “os aliados elogiam, os adversários criticam, já os amigos falam a verdade”. Que cada um se enquadrem em uma destas categorias e façam suas reflexões. Estamos aqui para falar o que melhor nos apetecem, ainda que possa contrariar os segmentos que compõem o Polivalente. Estaremos a disposição do novo diretor para nos somar pelo melhor da escola, ainda que em certos momentos podemos discordar, uma vez que ninguém é obrigado a concordar com tudo, mas de forma fraternal desejamos ao colega professor Bera toda sorte do mundo (e ele vai precisar dela). Seja bem vindo Bera!

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* Claudomir Tavares (42) é professor concursado das redes estadual (Propriá), municipal (Pirambu) e do Pré-Universitário (SEED). Licenciado em História,  com Aperfeiçoamento e Especialização em Gestão de Recursos Hídricos (todos pela UFS) e Metodologia do Ensino Superior (Faculdade São Luis de França). Mestrando em Gestão Ambiental (Faculdad San Carlos). Diretor-fundador da Tribuna da Praia.

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