ALEXANDRE LOBATO: Educação brasileira: a quem interessa o descaso?

05-06-2011 00:09

Entra mandato e sai mandato, e a história sempre se repete. Ao se candidatarem aos cargos majoritários, todos e todas, indistintamente sempre prometem as mesmas coisas, usando as mesmas palavras, dizendo nos palanques eleitorais nos mais diversos cantos deste país eternamente adormecido, um gigante envelhecido e carcomido pelas suas mazelas e desmandos, que os seus mandatos serão alicerçados em três pilares chamados de EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA. E a população de todos os cantos deste país, seja no sertão ou na cidade grande, deixa se enganar, ou melhor, acreditam no velho jargão politicamente correto, usado pelos desonestos e enganadores do povo: ¨SE ELEITO FOR, EM MEU MANDATO A EDUCAÇÃO, A SAÚDE E SEGURANÇA SERÃO PRIORIDADES¨. No magistério,uma profissão pouco atraente, desmotivante e de remuneração ridícula e humilhante, onde somos tidos como salvadores do futuro deste país, empunhando apenas uma pedra de giz e um quadro pintado na parede esburacada das escolas, com salas de aulas sem carteiras decentes, quentes e escuras, sem merenda escolar digna e substanciosa para os filhos dos pobres que não tem condições de escolher coisa melhor para seus filhos, teremos que mudar os destinos do país.

Durante quase os meus 30 anos de magistério, ter passado por diversos e análogos governos, jamais pude ver um que realmente se importasse realmente com essa situação catastrófica que a educação vive. Ao falar de nosso estado, falo de nosso país também, pois todos os estados vivem o mesmo drama. Mas refiro-me a Sergipe, pois vivo e labuto aqui. Ao passar por governos de Albano Franco, Valadares e João Alves, nós servidores públicos de todas as categorias, sabíamos de maneira clara que os mesmos diziam abertamente que não reconheciam os servidores públicos como verdadeiros parceiros e não remuneravam dignamente os mesmos. Já sabíamos com antecedência disso. Agora, Deda, aquele que foi forjado nos meios de luta, juntos as categorias diversas de servidores, se deixou levar pela pior droga existente neste país que é o PODER. E pelo poder, jogou no lixo seu passado de lutas, de batalhas, de enfrentamentos, seja com a polícia de Valadares, seja com a parcialidade daqueles que fazem a justiça de nosso estado, colocados ali pela indicação do governador. Conseguiu. Chegou ao poder e se deslumbrou. Fez o mesmo, ou melhor : FEZ PIOR. Achou que podia mais que Deus. Se aliou a adversários ferrenhos, cooptou outros, comprou alguns, mas , esqueceu-se daqueles que realmente acreditaram que o senhor seria alguém diferente dos outros que estiveram no comando deste estado: O SERVIDOR PÚBLICO! Para não entrarmos nas diversas categorias, vamos falar daquela a qual fazemos parte, o magistério. Com extrema inabilidade conduz, ou melhor, delega a pessoas totalmente descomprometidas e erradas para estarem à frente de uma pasta de uma importância fundamental para qualquer país honesto e confiável que, veja na educação de seu povo o caminho do desenvolvimento, fortalecendo todos os seus cidadãos e sua democracia. Diferentemente do nosso pequeno estado brasileiro. Coloca servidor contra servidor. Cria abismos intransponíveis dentro da mesma classe. Ignora o princípio de justiça, de legalidade e do reconhecimento. Uma pergunta acompanha a trajetória educacional deste país: A quem interessa o descaso com a educação deste país e de nossos alunos? Será que interessa as autoridades constituídas deste país, um povo culto, inteligente, questionador e reivindicador de seus direitos? Um povo esclarecido, culto, questionador iria olhar com olhos diferenciados para aqueles postulantes aos cargos eletivos ou não? Lógico que sim, pois não iriam se deixar enganar pela dor da fome, da miséria, da ajuda interesseira e teria uma leitura mais real e inteligente dos pretendentes aos cargos, principalmente daqueles que iriam conduzir suas vidas, em todos os âmbitos, durante quatro anos. Não isso não os interessa, pois quanto mais ignorantes ( ignorar, não ter conhecimento de...), mais carentes ( de tudo), mais desafortunados ( intelectualmente e financeiramente ), dependentes e submissos as migalhas que sobram do poder,  será melhor.

Por fim senhor governador, são essas as conclusão que, qualquer cidadão consciente tem de uma política do caos, do esquecimento (proposital ou não), do desmantelo e do desmando, da devassidão com que a educação que o estado que o senhor governa se encontra. Seus filhos não freqüentam essa escola, não é mesmo? Não foi essa escola que o senhor sonhou e escolheu para eles. É o filho do pobre que estuda lá.

Saiba senhor governador Marcelo Deda, insignificante será conhecido o governo que fez um governador que teve tudo nas mãos, principalmente por ter a grande maioria dos servidores públicos como seus aliados, e o senhor provocou a ira entre eles, sejam da mesma categoria ou não, todos estão revoltados com a sua irritante impetuosidade e arrogância, onde que para o senhor o mal deste estado é o servidor público. Para o magistério, jamais poderá ser dado um aumento digno e condizente de salário, pois é a maioria e são muitos, e os mesmos têm que se contentar com a miséria salarial, principalmente quando comparamos nossos salários a aqueles a quem formamos, seja advogados, médicos, juízes, delegados e até um governador de estado.

O trem da sua vida está passando, e o senhor não o agarrou. Outro não passará, tenho certeza disso. Cada um faz a escolha que melhor lhe convier, e o senhor já o fez. Sempre tem o bônus, mas também tem o ônus dessa escolha equivocada. CADA UM DÁ O QUE TEM! CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE!

Barra dos Coqueiros/SE, 27 de maio de 2011

Por Alexandre Lobato, professor da rede estadual há 29 anos
 

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