LITERATURA DE CORDEL: Pirambu tem História

17-05-2011 09:36

Autor: Agnaldo dos Santos Silva | agnaldocordelista@gmail.com

Agnaldo dos Santos Silva nasceu no dia 11 de agosto de 1977 em Japaratuba-SE, mas sempre residiu em Pirambu. Filho de José Cláudio da Silva (Zezé Ferreirinha) e Maria Florência dos Santos Silva. É casado com Maria das Graças Santos com quem tem dois filhos (Fábio e Ágnes). Graduado em História pela Faculdade de Formação de Professores de Penedo (FFPP), é professor concursado da rede pública municipal de ensino de Pirambu desde 1999, tendo atuado nas escolas XV de Novembro (Pov. Alagamar), Silvino Antônio de Araújo e Laudelina Moura Ferreira (ambas em Aguilhadas), Mário Trindade Cruz (em Pirambu) e José Amaral Lemos (professor contratado). Participou de diversos eventos culturais a exemplo do Culturarte, sempre defendendo a poesia popular. Integrante da ONG Vereda da Cultura tem desempenhado um importante papel na difusão da cultura popular, em especial no teatro e na literatura de cordel, onde tem dado voz às questões sócio-ambientais culturais.

Salve a todos os leitores

Salve a pátria brasileira

Nos escritos de cordel

Conhecemos de primeira

A história de Pirambu

Terra de gente guerreira

 

Pirambu quando surgiu

De "Ilha" era chamado

Território de nativos

Que outrora no passado

Povoaram esse lugar

Pelos deuses abençoado

 

Como sempre a natureza

Dar a sua contribuição

No belo Oceano Atlântico

Surgiu mais uma opção

Pescava-se o "Pirambu"

Para garantir a refeição

 

Devido à abundância

Desse bendito pescado

Os antigos moradores

Mudaram o anunciado

De "Ilha" pra "Pirambu"

O lugar foi batizado

 

A invasão de outros povos

Deixou marcas na memória

Fez esse povo batalhar

Marcando assim a história

Em colônia se organizaram

E legitimaram a vitória

 

O século XVIII findava

E vinham da redondeza

Da Bargada e Dois de Ouro

Pra dizer com mais certeza

Meia dúzia de famílias

Em busca dessa riqueza

 

Dizem os mais antigos

Que numa certa ocasião

Pirambu estava na rota

De D. Pedro e comissão

Mas o mesmo desistiu

No canal de São Sebastião

 

Com a matança dos "índios"

Seguiu então a exploração

Frei Fabiano foi incumbido

De resolver a situação

Promover a catequese

Apaziguar a população

 

O imperador Pedro II

Publicou no itinerário

"Divididas serão as terras"

Para o mais fiel donatário

D. Delmira e seu Agostinho

Providenciaram o escriturário

 

Em mil novecentos e onze

O Senhor José Amaral

Comprou a Manoel Gonçalves

A propriedade colonial

E logo instalou na vila

Uma sortida casa comercial

 

A Colônia de Pescadores

Foi criada logo em seguida

Para defender a causa

Dessa gente tão sofrida

E assim no ano seguinte

Uma igreja foi erguida

 

E para bem representar

A comunidade pesqueira

Foi trazida lá da França

A imagem da mãe verdadeira

Nossa Senhora de Lourdes

É a nossa fiel padroeira

 

Na década de cinqüenta

Pirambu se organizava

Com poucas casas de taipa

A vila aos poucos prosperava

Desmembrar de Japaratuba

A população já sonhava

 

Após diversos encontros

Para estudar a situação

Doutor Linhares preparou

Toda a documentação

Tratava-se de um projeto

Referente a emancipação

 

E João de Seixas Dória

Deferiu a emancipação

Pirambu foi desmembrado

Da nossa antiga “missão”

E aos vinte e seis de novembro

Fizemos uma comemoração

 

O ano de sessenta e três

Marca a nossa independência

E a Lei um, dois, três, quatro

É o nosso ponto de referência

Para justificar a nossa luta

Com humildade e decência

 

Mas logo veio a ditadura

E dominou todo o Estado

Aniquilando os projetos

Que se tinha planejado

E cassa também o mandato

Do deputado Nivaldo

 

Por volta de sessenta e cinco

João Dória, homem decente

Em acordo com Prado Leite

Na época, então presidente

Da Assembléia Legislativa

Pôs o projeto pra frente

 

Aos oito do mês de agosto

Do mesmo ano corrente

Ocorreu a proclamação

Pirambu é livre, finalmente

E a Lei um, dois, três, quatro

Vai se tornando eficiente

 

Mas nesse mesmo intento

Faço aqui uma observação

O feito em oito de agosto

Trata somente da instalação

Confundida então por muitos

Como o dia da emancipação

 

Não podemos deixar para trás

Dois anos de nossa História

A ditadura até que tentou

Mas não dizimou nossa glória

Pois a Lei já fora aprovada

E a ideia estava na memória

 

Anote na sua agenda

Temos encontro marcado

Aos vinte e seis de novembro

Festejaremos um bocado

Relembrar nossos heróis

Pelos feitos no passado

 

E continuando essa prosa

Vamos falar de política

Tem gente que não suporta

No final vem e se justifica

Com uma desculpa peluda

Que fede mais que titica

 

Mas voltando ao contexto

João Dória do Nascimento

Como prefeito então ficou

Promoveu o desenvolvimento

E junto aos senhores edis

Fizeram o dever a contento

 

É isso aí caro leitor(a)

Foi uma viagem no tempo

Muitos prefeitos tiraram

O povo do sofrimento

Mas pra muitos a prefeitura

Foi um bom investimento

 

E nesse mundo desigual

Lembre-se: você tem poder

O voto é seu armamento

É de graça, não é pra vender

Se alimentares a corrupção

Logo tu vai se arrepender

 

Despeço-me dando pausa

Nessa minha narração

A história de Pirambu

Também sofre mutação

E se Deus quiser outra hora

Continuarei com a missão.

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