"Sintese está no governo por negociação política e quer dar uma de moralista"

16-05-2011 13:02

Venâncio diz ainda que o professor é usado como massa de manobra para interesses pessoais da direção

O líder da oposição na Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), ao julgar pelos últimos embates que tem tido com a presidente do Sintese, a professora Ângela Melo, avalia que a educadora está longe de ter o preparo exigido para o posto que ocupa numa entidade que tem a obrigação de defender os educadores, e não se inibir frente ao Governo do Estado - como faz neste momento no tocante ao piso dos professores. Venâncio voltou a assegurar que um sindicato não pode negociar um direito adquirido, e ainda agredir quem defende os professores em detrimento ao governo.

"São interesses pessoais. E quando eu falo isso a direção do Sintese fica aperreada. Não admite que eu esclareça isso ao professorado, que está sendo enganado. Servindo de massa de manobra para interesses políticos, partidários e pessoais. Não aceitam que eu diga: ‘professores, vocês são pessoas conscientes, cultas, preparadas, responsáveis pelo futuro dessa geração do amanhã nos estudos e estão sendo enganados. Usados como se fossem para o benefício de vocês, mas isso não acontece. Vocês estão servindo como massa de manobra para outros interesses políticos, partidários e pessoais". O Sintese tem que ser classista. A cúpula do Sintese não pode querer partidarizar o sindicato. Mas quer impor a política partidária deles, na qual está demonstrada a sua negociação política. São ex participando do governo, que é um direito, mas assumam. Não é querer participar e dar uma de bacana. De moralista. Não. Foi uma negociação política. Foi", observa.

Venâncio afirma que da mesma forma que é contestado pela direção do Sintese, muitos professores o procuram para comungar com as críticas que faz à entidade. "Eu recebo telefonemas do estado todo. Tem os que me contestam, que não gostam. Os cabos eleitorais da cúpula do Sintese. Não gostam porque são os mais beneficiados. Mas o professor em si, que esta com giz na sala de aula, este gosta. Porque sabe que é verdade. Eu quero que digam que estou errado, que o Sintese não já deveria ter entrado com uma ação na Justiça contra o governo", insistiu. Venâncio explicou ainda que no momento em que aceitam participar o governo do Estado, membros do Sintese se sentem inibidos no momento de fazer cobranças de interesses do professor. "Não têm a mesma moral que tiveram em outros governos que não participaram".

Venâncio Fonseca observou ainda que em dado momento do primeiro governo Déda, o Sintese sentou à mesa para tecer críticas ao governo e ouviu do então presidente do PT, Márcio Macedo, que não poderia reclamar sem antes entregar os cargos que tinham na Secretaria de Educação. "Isso saiu em toda imprensa. A própria deputada Ana Lúcia foi quem disse de alto e bom som na Assembleia Legislativa que a Secretaria de Educação estava loteada. Não fui eu. Foi ela, se ela se arrependeu... E dentro deste loteamento pode ter certeza: tem membros do Sintese lá dentro. Aí eu digo e recebo ameaça de processo? Não vão me processar porque falo a verdade. Se tivesse uma vírgula, processavam", diz.

Picadeiro para palhaço

Comentando o episódio picadeiro para se comportar como palhaço, o líder da oposição explicou que falta preparo e equilíbrio à presidente do Sintese para participar dos debates. "Quando você representa uma classe tem que ter equilíbrio, educação, conhecimento, formação... no dia-a-dia você vai ser sempre cobrado e precisa saber conviver com o contraditório. É preciso ter grande conhecimento para convencer o seu opositor. Mas jamais com grosseria. Quem age desta maneira demonstra não ter preparo. Toda pessoa despreparada, que não tem competência para exercer aquilo que está ocupando, quando se sente acuada por uma denúncia consistente, parte para a agressividade, para querer ganhar no grito, intimidando a pessoa", ajuizou Venâncio.

O líder da oposição, no entanto, voltou a assegurar que não mudará uma vírgula do seu posicionamento. Continuará cobrando ao Sintese ir à Justiça para garantir a revisão do piso, mesmo que seja agredido verbalmente. "Quando estou num debate e a pessoa me trata com delicadeza, com educação, aquilo pode até inibir em torno e algo que eu queira falar, por conta do tratamento educado. Mas quando a pessoa vem sem argumentos e quer vencer através da intimidação, arrogância, prepotência, aquilo me estimula mais ainda para que eu continue o meu trabalho de oposição. Muitas vezes você vai um embate e a pessoa lhe convence através de um documento de uma argumentação. De dados. E você recua naquilo que você estar cobrando ou denunciado, porque você vê que aquilo que está cobrando não está correto. Mas quando você está correto e a pessoa não vê isso como uma crítica construtiva e quer desqualificar seu trabalho e desqualificar a Assembleia não podemos aceitar", diz.

Venâncio assegura não ser contra o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe. Ao contrário, o deputado avalia que a existência da entidade é benéfica aos professores. Todavia, na sua ótica, não é possível concordar com a política dos que comandam o Sintese. "Estão usando o sindicato para fazer política partidária, e não a política classista, que interessa aos professores. Sou contra aqueles que estão na direção do Sintese, e ao invés de defenderem os professores, parecem mais líderes do governo. Sou contra o comportamento dúbio. Com um governo tem um comportamento e com outro, que se afina ideologicamente, tem outro", explicou.

Por Joedson Teles (Universo Político)

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